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Cirurgia OLIF: artrodese lombar por via oblíqua

OLIF 25 e OLIF 51, com fixação percutânea, muitas vezes sem mudar de posição

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Escrito e revisado por Dr. Francisco Moura Neto, neurocirurgião (CRM-PB 11807 · RQE 10030) · outubro de 2026

A OLIF foi indicada como opção de tratamento para a sua coluna lombar. Este guia explica o que é a cirurgia, para quem ela serve, como é feita, quais são os riscos e como é a recuperação, para que você tome sua decisão com segurança e saiba o que esperar em cada etapa.

O que é a OLIF?

OLIF é a sigla em inglês de artrodese intersomática lombar por via oblíqua. Artrodese é a fusão de duas vértebras: o disco desgastado é retirado e substituído por um espaçador preenchido com enxerto ósseo, que com o tempo une as vértebras num bloco firme.

O diferencial está no caminho. Em vez de chegar ao disco pelas costas, afastando a musculatura, o cirurgião chega pela lateral do abdome, por um corredor natural entre os grandes vasos e o músculo psoas, sem cortar a musculatura das costas e sem atravessar o psoas.

Os dois acessos

Depois do espaçador, a coluna é fixada com parafusos colocados por pequenos cortes nas costas (fixação percutânea). Quando possível, isso é feito na mesma posição, sem virar o paciente na mesa — a chamada cirurgia em posição única.

Para quem é indicada?

Em geral, a cirurgia é considerada depois de pelo menos 3 a 6 meses de tratamento bem conduzido sem cirurgia, a menos que haja fraqueza progressiva ou outra urgência.

Como é a cirurgia

  1. Anestesia e posição: anestesia geral, com você deitado de lado. A monitorização dos nervos acompanha toda a cirurgia.
  2. Acesso: uma incisão de poucos centímetros na lateral do abdome. O cirurgião afasta, sem cortar, os músculos da parede e chega à coluna por trás do peritônio. O intestino não é aberto.
  3. Disco e espaçador: o disco desgastado é retirado e um espaçador grande, com enxerto, é colocado no lugar, controlado por raio X.
  4. Fixação: os parafusos são colocados por pequenos cortes nas costas, guiados por imagem, de preferência sem mudar de posição.

A duração varia com o número de níveis, geralmente de 2 a 4 horas.

Vantagens e limitações

O que os estudos mostram

Riscos

Toda cirurgia tem riscos. Os números abaixo vêm de grandes revisões e séries publicadas e servem como referência. O seu risco individual depende da sua saúde, dos níveis operados e da anatomia, e será conversado na consulta.

Mais comuns, geralmente passageiros

Raros, mas importantes

Antes da cirurgia

Internação e recuperação

Mesmo dia ou dia seguinteVocê senta, fica em pé e caminha com ajuda. A dor é controlada com analgésicos.
InternaçãoEm geral de 1 a 3 dias, até caminhar com segurança, se alimentar e ter a dor controlada.
2 a 6 semanasCaminhadas diárias, cada vez mais longas. Trabalhos leves e de escritório costumam voltar nesse período.
3 a 6 mesesO enxerto consolida (fusão). Exercícios e atividades com mais esforço são liberados aos poucos, com controle por radiografia.

Em casa

Perguntas frequentes

Onde ficam as cicatrizes? Uma incisão de poucos centímetros na lateral do abdome e pequenos cortes nas costas para os parafusos.

A cirurgia mexe no intestino? Não. O acesso passa por trás do peritônio, a membrana que envolve o intestino, sem abri-lo. É comum o intestino ficar mais lento por 1 ou 2 dias.

Por que a coxa pode ficar dormente? O acesso passa perto de nervos que vão para a coxa. Dormência, formigamento ou fraqueza para levantar a perna podem aparecer e, em geral, melhoram em semanas a poucos meses.

E se eu tiver osteoporose? O osso fraco aumenta o risco de o espaçador afundar. Por isso a densidade óssea é avaliada antes e, às vezes, tratada primeiro.

Quando volto ao trabalho? Trabalho de escritório, em geral entre 4 e 6 semanas. Trabalho com esforço físico, a partir de 3 meses, conforme a fusão.

Quando posso fazer esporte? Caminhada desde o início. Bicicleta e natação a partir de 6 semanas. Musculação e esportes de impacto, em geral após 3 a 6 meses.

Quando procurar atendimento

Procure atendimento imediatamente se tiver
  • febre acima de 38 °C, calafrios, ou vermelhidão, calor, abertura ou secreção na cicatriz;
  • fraqueza nova ou que piora nas pernas, ou dormência que aumenta;
  • dificuldade para urinar, perda do controle da urina ou das fezes, ou dormência na região genital ou anal;
  • barriga muito inchada, vômitos repetidos ou ausência de gases e fezes por mais de 2 a 3 dias;
  • dor ou inchaço na panturrilha, falta de ar ou dor no peito;
  • qualquer sintoma novo que preocupe você.

Fale com a equipe ou vá ao pronto-socorro mais próximo e leve este documento. Os cuidados com a ferida estão no guia Após a cirurgia: cuidados até o retornoÁrea do paciente.

Fontes científicas

  1. Fujibayashi S et al. Effect of indirect neural decompression through oblique lateral interbody fusion for degenerative lumbar disease. Spine, 2015.
  2. Sato J et al. Radiographic evaluation of indirect decompression of mini-open anterior retroperitoneal lumbar interbody fusion. Eur Spine J, 2017.
  3. Woods KR et al. Technical description of OLIF25 and OLIF51 and evaluation of complication and fusion rates. Spine J, 2017.
  4. Mills ES et al. Single position lumbar fusion: a systematic review and meta-analysis. Spine J, 2022.
  5. Walker CT et al. Complications for minimally invasive lateral interbody arthrodesis: prepsoas versus transpsoas approaches. J Neurosurg Spine, 2019.
  6. Spiessberger A et al. A comparison of complications between mini-open prepsoas and transpsoas approaches: a meta-analysis. Clin Spine Surg, 2020.
  7. Abe K et al. Perioperative complications in 155 patients who underwent oblique lateral interbody fusion surgery. Spine, 2017.
  8. Silvestre C et al. Complications and morbidities of mini-open anterior retroperitoneal lumbar interbody fusion: OLIF in 179 patients. Asian Spine J, 2012.
Este material é informativo

Não substitui a consulta. Siga sempre as orientações específicas recebidas do seu médico. Dúvidas: WhatsApp (83) 98640-5903.

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