Lesões dentro da medula: tumores intramedulares e diagnósticos diferenciais
Ependimomas, astrocitomas, hemangioblastomas e as doenças que podem imitá-los
Os exames mostraram uma lesão dentro da própria medula espinhal. Muitas vezes ela é um tumor intramedular, quase sempre de crescimento lento. Mas nem toda lesão dentro da medula é tumor: inflamações, infecções (como a esquistossomose) e lesões dos vasos podem ter aparência muito parecida na ressonância e são tratadas de forma diferente. Este guia explica as possibilidades, como chegamos ao diagnóstico e as opções de tratamento.
O que é um tumor intramedular?
A medula espinhal é o feixe de nervos que desce do cérebro por dentro da coluna e leva os comandos de movimento e as informações de tato, dor e temperatura. Um tumor intramedular cresce dentro da própria medula, entre as fibras nervosas. São tumores raros: representam uma pequena parte dos tumores do sistema nervoso. Em adultos, a maioria é de baixo grau (crescimento lento).
Os tumores mais comuns
| Tumor | Características |
|---|---|
| Ependimoma | O mais comum em adultos. Em geral bem delimitado e central, o que muitas vezes permite a retirada completa. |
| Astrocitoma | Mais comum em crianças e jovens. Costuma se infiltrar entre as fibras, sem limite claro, o que torna a retirada completa mais difícil. |
| Hemangioblastoma | Tumor muito vascularizado, benigno. Pode estar ligado à doença de von Hippel-Lindau, que exige investigação de outros órgãos. |
| Outros | Mais raros: metástases, gangliogliomas, lipomas, entre outros. |
É comum o tumor vir acompanhado de uma cavidade de líquido dentro da medula (siringomielia), causada pelo bloqueio da circulação do líquor. Ela costuma diminuir depois que o tumor é tratado.
Nem toda lesão dentro da medula é tumor
Várias doenças podem inchar a medula e captar contraste na ressonância, imitando um tumor. Saber disso é importante, porque muitas delas são tratadas com remédios, e não com cirurgia.
| Doença | Pistas | Tratamento |
|---|---|---|
| Esquistossomose medular (Schistosoma mansoni) | Contato com água doce (rios, lagoas, açudes) em região onde a doença existe, como em partes do Nordeste. Atinge em geral a parte baixa da medula e o cone medular, com dor lombar, dor e fraqueza nas pernas e alteração para urinar. Exames de sangue, do líquor e de fezes ajudam no diagnóstico. | Remédio contra o parasita (praziquantel) e corticoide, o quanto antes. A cirurgia fica para casos de dúvida diagnóstica ou compressão. |
| Esclerose múltipla e neuromielite óptica | Lesões inflamatórias da medula, às vezes com lesões no cérebro ou nos nervos dos olhos. Exames de sangue com anticorpos específicos (AQP4, MOG) e de líquor ajudam no diagnóstico. | Corticoide e medicamentos que controlam o sistema imune, com o neurologista. |
| Mielite transversa e outras inflamações (como a sarcoidose) | Sintomas que surgem em dias a semanas. Podem ter relação com infecções ou doenças autoimunes. | Corticoide e tratamento da causa. |
| Infecções (tuberculose, abscesso e outras) | Febre, alteração em exames de sangue, imunidade baixa. | Antibióticos ou antimicrobianos; cirurgia em casos selecionados. |
| Fístula arteriovenosa dural | Ligação anormal entre artéria e veia que deixa a medula "congestionada". Mais comum em homens acima dos 50 anos, com piora lenta da marcha e alteração para urinar. | Fechamento da fístula por cateterismo (embolização) ou cirurgia. Tem bom resultado quando tratada cedo. |
| Cavernoma | Pequeno novelo de vasos que pode sangrar. Aspecto típico na ressonância. | Observação ou cirurgia, conforme os sintomas e os sangramentos. |
Por isso, antes de decidir por uma cirurgia, investigamos essas possibilidades com a história clínica, a ressonância do crânio e de toda a coluna, exames de sangue e, muitas vezes, exame do líquor. Em alguns casos, mesmo depois de toda a investigação, só o exame do tecido retirado na cirurgia define o diagnóstico. Já tivemos lesões com aparência de tumor que, no exame do tecido, eram esquistossomose. Por isso o resultado da biópsia sempre orienta o tratamento depois da cirurgia.
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- Sintomas mais comuns
- Opções de tratamento dos tumores
- Riscos da cirurgia
- Resultados e recuperação
- Perguntas frequentes
- Quando procurar atendimento
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