Bloqueio facetário e de ramo medial
Teste com anestésico para dor localizada nas costas ou no pescoço
Você vai fazer um bloqueio de ramo medial (bloqueio facetário). Mais do que um tratamento, ele é um teste: mostra se as pequenas articulações da coluna são a origem da sua dor. Por isso, o que você observa nas horas seguintes é tão importante quanto o próprio procedimento.
O que é?
Atrás de cada vértebra existem duas pequenas articulações, as facetas, que guiam os movimentos da coluna. Com o desgaste (artrose), elas podem doer. A dor costuma ficar nas costas ou no pescoço, às vezes irradiando para a nádega, a coxa ou o ombro, sem descer como uma ciática.
Cada faceta recebe sensibilidade de pequenos nervos chamados ramos mediais. No bloqueio, uma pequena quantidade de anestésico é aplicada junto a esses nervos. Se a dor diminuir bastante enquanto o anestésico age, é provável que as facetas sejam a fonte da dor, e você pode ser candidato à radiofrequência, que prolonga o alívio.
Em alguns casos, o medicamento é aplicado dentro da própria articulação (bloqueio intra-articular). A escolha é feita para o seu caso.
Para quem é indicado?
- Dor predominantemente nas costas ou no pescoço, há mais de 3 meses, com características de dor facetária (piora ao inclinar o tronco para trás, ao girar ou ao ficar muito tempo em pé).
- Quando remédios, exercícios e fisioterapia bem feitos não trouxeram melhora suficiente.
- Como teste antes da radiofrequência.
Como é feito?
- Conferência: a equipe confirma seu nome, o procedimento, o nível e o lado, e revisa alergias e medicamentos.
- Posição: você fica deitado de barriga para baixo (ou de lado), numa mesa com aparelho de raio X.
- Antissepsia e anestesia da pele: a pele é limpa com antisséptico e anestesiada com uma agulha fina. Você sente uma picada e um leve ardor.
- Agulha guiada por imagem: com o raio X (radioscopia), a agulha é levada até o ponto exato. Quando indicado, uma pequena quantidade de contraste confirma a posição antes do medicamento.
- Medicamento e curativo: o medicamento é aplicado devagar, a agulha é retirada e um curativo pequeno é colocado.
- Observação: você fica em observação por um curto período antes de ir para casa.
O procedimento costuma levar de 15 a 30 minutos. Avise na hora se sentir dor súbita forte, choque que não passa, tontura ou qualquer sensação estranha.
Em geral não se usa sedação, porque ela atrapalharia a avaliação do teste.
Medicamentos usados
| Medicamento ou recurso | Para que serve |
|---|---|
| Anestésico local (lidocaína ou bupivacaína) | É o principal medicamento do teste. Age por algumas horas: lidocaína por cerca de 1 a 2 horas e bupivacaína por cerca de 4 a 6 horas. |
| Contraste radiológico, quando indicado | Confirma no raio X a posição da agulha. |
| Corticoide, em casos selecionados | Pode ser associado no bloqueio intra-articular, mas a evidência de alívio prolongado com ele é limitada. |
O teste: como avaliar a sua dor
Esta é a parte mais importante. Antes do bloqueio, dê uma nota para a sua dor de 0 (sem dor) a 10 (pior dor possível). Depois, anote a nota a cada hora, por 6 horas.
Leve suas anotações no retorno. Às vezes são feitos dois bloqueios em dias diferentes, para aumentar a certeza do diagnóstico.
O que os estudos mostram
- A ressonância sozinha não confirma a dor facetária: a artrose aparece em muitas pessoas sem dor. O bloqueio é o melhor teste disponível.
- Um consenso internacional de sociedades médicas (2020) recomenda usar o bloqueio de ramo medial para selecionar quem fará radiofrequência, considerando positivo um alívio de mais de 50%. Ele prevê o resultado da radiofrequência melhor do que a injeção dentro da articulação.
- Um único bloqueio pode dar resultado falso-positivo em parte das pessoas. Por isso a interpretação é feita junto com a história, o exame e, às vezes, um segundo bloqueio.
- O efeito do bloqueio diagnóstico é temporário por natureza. Repetir bloqueios só como tratamento não é recomendado de rotina. Quando o teste é positivo, a opção de efeito prolongado é a radiofrequência.
Riscos e efeitos possíveis
- Dor ou pequeno hematoma no local por alguns dias.
- Tontura ou mal-estar passageiro (reação vasovagal).
- Infecção, sangramento, reação alérgica e lesão de nervo são raros.
Depois do procedimento
- Faça as anotações da dor por 6 horas. Teste apenas atividades do seu dia a dia, sem esforço extremo.
- Não dirija no dia. Retome atividades leves no dia seguinte.
- Banho normal no dia seguinte. Retire o curativo em 24 horas.
Preparo
- Medicamentos: traga a lista de tudo o que usa, com doses. Anticoagulantes e antiagregantes (varfarina, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana, AAS, clopidogrel e outros), anti-inflamatórios, remédios para diabetes e fitoterápicos podem precisar de ajuste — nunca suspenda por conta própria. Os prazos de referência estão no guia Bloqueios anestésicos: preparo e medicações, e a decisão final é tomada com você e, quando preciso, com seu cardiologista.
- Avise a equipe se tiver febre, gripe, infecção, ferida na pele perto do local, alergia (a anestésico, iodo, contraste ou látex), diabetes, imunossupressão, marca-passo ou cardiodesfibrilador, ou se houver possibilidade de gravidez.
- Jejum e acompanhante: siga as orientações recebidas. Venha com um acompanhante adulto, porque você não deve dirigir no dia.
- Leve documento, carteira do convênio e seus exames de imagem (ressonância, tomografia).
Perguntas frequentes
Dói? Você sente a picada da anestesia da pele e uma pressão no local. Costuma ser bem tolerado, sem sedação.
Por que tenho de anotar a dor? Porque o teste é a sua resposta nas horas em que o anestésico age. Sem essas anotações, não dá para saber se as facetas são a origem da dor.
A dor voltou à noite. O bloqueio não funcionou? Não necessariamente. O anestésico dura horas, e é esperado que a dor volte. O que importa é quanto ela diminuiu durante o efeito.
Se o teste der positivo, faço radiofrequência? Ela passa a ser uma opção. A decisão leva em conta quanto a dor melhorou, o impacto na sua vida, os riscos e a sua preferência.
Quando volto ao trabalho? Em geral no dia seguinte.
Quando procurar atendimento
- fraqueza nova ou que piora nas pernas ou nos braços, ou dificuldade nova para andar;
- dormência na região genital ou anal, dificuldade para urinar ou perda do controle da urina ou das fezes;
- febre ou calafrios, ou vermelhidão, calor, inchaço ou secreção no local da agulha;
- dor de cabeça forte que piora ao ficar em pé e melhora ao deitar, ou com febre e rigidez na nuca;
- falta de ar, inchaço no rosto ou na língua, desmaio ou dor no peito.
Fale com a equipe ou vá ao pronto-socorro mais próximo e informe o procedimento feito e a data.
Fontes científicas
- Cohen SP et al. Consensus practice guidelines on interventions for lumbar facet joint pain from a multispecialty, international working group. Reg Anesth Pain Med, 2020.
- NICE NG59. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management. National Institute for Health and Care Excellence.
- Narouze S et al. Interventional spine and pain procedures in patients on antiplatelet and anticoagulant medications. Reg Anesth Pain Med, 2018.
Não substitui a consulta. Siga sempre as orientações específicas recebidas do seu médico. Dúvidas: WhatsApp (83) 98640-5903.
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