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Radiofrequência facetária (rizotomia)

Tratamento por calor dos nervos das facetas, para dor crônica nas costas ou no pescoço

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Escrito e revisado por Dr. Francisco Moura Neto, neurocirurgião (CRM-PB 11807 · RQE 10030) · outubro de 2026

Você vai fazer uma radiofrequência facetária, também chamada de rizotomia ou denervação por radiofrequência. Ela é indicada para quem teve resposta positiva no bloqueio de ramo medial. Este guia explica como ela funciona, quando o efeito aparece, quanto costuma durar e como se cuidar depois.

O que é?

A radiofrequência usa uma agulha especial com ponta de eletrodo. Posicionada junto aos ramos mediais — os pequenos nervos que levam a dor das facetas —, ela aquece a ponta de forma controlada e interrompe a passagem do sinal de dor por esses nervos.

Não é uma cirurgia aberta: não há corte nem pontos, e nada é retirado da coluna. Os ramos mediais não comandam a força das pernas nem dos braços, por isso a técnica é segura quando bem indicada.

Para quem é indicada?

Não trata hérnia de disco, ciática nem dor que desce para a perna.

Como é feita?

  1. Conferência e posição: a equipe confirma o procedimento, os níveis e o lado, e você fica deitado de barriga para baixo.
  2. Anestesia: a pele e o trajeto da agulha são anestesiados. Em alguns casos, usa-se uma sedação leve.
  3. Posicionamento da agulha-eletrodo: guiada por raio X, a agulha é levada até cada nervo.
  4. Testes de segurança: antes de aquecer, uma pequena corrente elétrica confirma que a agulha está longe dos nervos que comandam a força. Você pode sentir formigamento ou pressão nas costas.
  5. Tratamento: o nervo é anestesiado e a ponta é aquecida por cerca de 1 a 3 minutos em cada ponto.

O procedimento leva de 30 a 60 minutos, conforme o número de níveis.

Medicamentos e recursos

Medicamento ou recursoPara que serve
Anestésico localAnestesia a pele, o trajeto da agulha e o nervo antes do aquecimento.
Sedação, quando indicadaUsada em situações selecionadas, com monitorização. Exige acompanhante e impede dirigir no dia.
RadiofrequênciaNão é um medicamento: é energia aplicada pela ponta da agulha para criar uma pequena lesão controlada no nervo.
Corticoide, às vezesPode ser aplicado no final para reduzir a dor dos primeiros dias.

Quando o efeito começa e quanto dura?

Primeiros diasÉ comum dor, ardência ou sensação de queimadura no local. Às vezes a dor fica pior que antes por alguns dias.
2 a 4 semanasO efeito costuma aparecer aos poucos, nesse período.
6 a 12 mesesÉ a duração mais comum do alívio em quem responde. Em algumas pessoas dura mais.
Se a dor voltarOs nervos se regeneram com o tempo. Se a primeira radiofrequência funcionou, ela pode ser repetida, com resultados geralmente semelhantes.

O que os estudos mostram

Riscos e efeitos possíveis

Mais comuns e passageiros

Raros

Avise se tiver marca-passo, cardiodesfibrilador ou neuroestimulador: a radiofrequência exige cuidados especiais nesses casos.

Depois do procedimento

Preparo

Perguntas frequentes

É a mesma coisa que o bloqueio? Não. O bloqueio usa anestésico e serve de teste. A radiofrequência usa calor para interromper o sinal de dor por meses.

Dói? O trajeto é anestesiado. Você pode sentir pressão e formigamento durante os testes. Nos primeiros dias depois, é comum ardência no local.

Pode ser feita sem o bloqueio-teste? As principais diretrizes recomendam fazer o bloqueio antes, porque ele aumenta a chance de a radiofrequência funcionar.

Vou ficar com a perna ou o braço fraco? Não. Os nervos tratados levam a sensibilidade das facetas e não comandam a força. Os testes elétricos confirmam isso antes do aquecimento.

Quando volto ao trabalho? Trabalhos leves, em 1 a 3 dias. Trabalhos com esforço físico, em cerca de uma semana.

Posso repetir? Sim, se a primeira trouxe bom alívio e a dor voltar, geralmente depois de 6 meses ou mais.

Quando procurar atendimento

Procure atendimento imediatamente se tiver
  • fraqueza nova ou que piora nas pernas ou nos braços, ou dificuldade nova para andar;
  • dormência na região genital ou anal, dificuldade para urinar ou perda do controle da urina ou das fezes;
  • febre ou calafrios, ou vermelhidão, calor, inchaço ou secreção no local da agulha;
  • dor de cabeça forte que piora ao ficar em pé e melhora ao deitar, ou com febre e rigidez na nuca;
  • falta de ar, inchaço no rosto ou na língua, desmaio ou dor no peito.

Fale com a equipe ou vá ao pronto-socorro mais próximo e informe o procedimento feito e a data.

Fontes científicas

  1. Lord SM et al. Percutaneous radio-frequency neurotomy for chronic cervical zygapophyseal-joint pain. N Engl J Med, 1996.
  2. Cohen SP et al. Consensus practice guidelines on interventions for lumbar facet joint pain from a multispecialty, international working group. Reg Anesth Pain Med, 2020.
  3. NICE NG59. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management. National Institute for Health and Care Excellence.
  4. Juch JNS et al. Effect of radiofrequency denervation on pain intensity among patients with chronic low back pain: the MINT randomized clinical trials. JAMA, 2017.
  5. Busse JW et al. Commonly used interventional procedures for non-cancer chronic spine pain: a clinical practice guideline. BMJ, 2025.
Este material é informativo

Não substitui a consulta. Siga sempre as orientações específicas recebidas do seu médico. Dúvidas: WhatsApp (83) 98640-5903.

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