Radiofrequência facetária (rizotomia)
Tratamento por calor dos nervos das facetas, para dor crônica nas costas ou no pescoço
Você vai fazer uma radiofrequência facetária, também chamada de rizotomia ou denervação por radiofrequência. Ela é indicada para quem teve resposta positiva no bloqueio de ramo medial. Este guia explica como ela funciona, quando o efeito aparece, quanto costuma durar e como se cuidar depois.
O que é?
A radiofrequência usa uma agulha especial com ponta de eletrodo. Posicionada junto aos ramos mediais — os pequenos nervos que levam a dor das facetas —, ela aquece a ponta de forma controlada e interrompe a passagem do sinal de dor por esses nervos.
Não é uma cirurgia aberta: não há corte nem pontos, e nada é retirado da coluna. Os ramos mediais não comandam a força das pernas nem dos braços, por isso a técnica é segura quando bem indicada.
Para quem é indicada?
- Dor crônica (mais de 3 meses) predominantemente nas costas ou no pescoço, de origem facetária.
- Quem teve bloqueio de ramo medial positivo, com redução de pelo menos metade da dor durante o efeito do anestésico.
- Quando o tratamento sem procedimentos não foi suficiente.
Não trata hérnia de disco, ciática nem dor que desce para a perna.
Como é feita?
- Conferência e posição: a equipe confirma o procedimento, os níveis e o lado, e você fica deitado de barriga para baixo.
- Anestesia: a pele e o trajeto da agulha são anestesiados. Em alguns casos, usa-se uma sedação leve.
- Posicionamento da agulha-eletrodo: guiada por raio X, a agulha é levada até cada nervo.
- Testes de segurança: antes de aquecer, uma pequena corrente elétrica confirma que a agulha está longe dos nervos que comandam a força. Você pode sentir formigamento ou pressão nas costas.
- Tratamento: o nervo é anestesiado e a ponta é aquecida por cerca de 1 a 3 minutos em cada ponto.
O procedimento leva de 30 a 60 minutos, conforme o número de níveis.
Medicamentos e recursos
| Medicamento ou recurso | Para que serve |
|---|---|
| Anestésico local | Anestesia a pele, o trajeto da agulha e o nervo antes do aquecimento. |
| Sedação, quando indicada | Usada em situações selecionadas, com monitorização. Exige acompanhante e impede dirigir no dia. |
| Radiofrequência | Não é um medicamento: é energia aplicada pela ponta da agulha para criar uma pequena lesão controlada no nervo. |
| Corticoide, às vezes | Pode ser aplicado no final para reduzir a dor dos primeiros dias. |
Quando o efeito começa e quanto dura?
O que os estudos mostram
- Na coluna cervical, um estudo clássico com grupo placebo (New England Journal of Medicine, 1996) mostrou que a dor levou, em média, 263 dias para voltar com a radiofrequência, contra 8 dias com o procedimento simulado.
- Na coluna lombar, os resultados são mais variáveis. A diretriz britânica NICE recomenda considerar a radiofrequência para dor lombar crônica de intensidade 5 ou mais (numa escala de 0 a 10), quando o tratamento sem procedimentos falhou, e só depois de um bloqueio de ramo medial positivo.
- Os estudos holandeses MINT (JAMA, 2017) não mostraram benefício importante quando a radiofrequência foi somada a exercícios em pacientes menos selecionados. Uma diretriz do BMJ de 2025 desaconselhou o uso rotineiro desses procedimentos na dor crônica da coluna, enquanto outras diretrizes, como o consenso internacional de 2020, os recomendam em pacientes bem selecionados.
- Por isso, a seleção cuidadosa pelo bloqueio-teste e a combinação com exercícios são o que fazem diferença no resultado.
Riscos e efeitos possíveis
Mais comuns e passageiros
- Dor, ardência ou sensibilidade no local por 1 a 3 semanas.
- Pequena área de dormência ou hipersensibilidade na pele das costas.
- Na coluna cervical alta: tontura, desequilíbrio ou dormência na nuca, geralmente temporários.
Raros
- Neurite, uma dor em queimação mais persistente, que costuma melhorar em semanas.
- Infecção, sangramento, reação alérgica, queimadura da pele ou lesão de nervo.
Avise se tiver marca-passo, cardiodesfibrilador ou neuroestimulador: a radiofrequência exige cuidados especiais nesses casos.
Depois do procedimento
- Não dirija no dia. Repouso relativo nas primeiras 24 horas.
- Compressas frias no local e o analgésico prescrito ajudam na dor dos primeiros dias.
- Retome caminhadas e atividades leves aos poucos. Evite carga pesada e exercícios intensos na primeira semana.
- Banho normal no dia seguinte. Retire o curativo em 24 horas.
- Volte aos exercícios e à fisioterapia assim que a dor permitir: é nessa fase de alívio que o fortalecimento rende mais.
Preparo
- Medicamentos: traga a lista de tudo o que usa, com doses. Anticoagulantes e antiagregantes (varfarina, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana, AAS, clopidogrel e outros), anti-inflamatórios, remédios para diabetes e fitoterápicos podem precisar de ajuste — nunca suspenda por conta própria. Os prazos de referência estão no guia Bloqueios anestésicos: preparo e medicações, e a decisão final é tomada com você e, quando preciso, com seu cardiologista.
- Avise a equipe se tiver febre, gripe, infecção, ferida na pele perto do local, alergia (a anestésico, iodo, contraste ou látex), diabetes, imunossupressão, marca-passo ou cardiodesfibrilador, ou se houver possibilidade de gravidez.
- Jejum e acompanhante: siga as orientações recebidas. Venha com um acompanhante adulto, porque você não deve dirigir no dia.
- Leve documento, carteira do convênio e seus exames de imagem (ressonância, tomografia).
Perguntas frequentes
É a mesma coisa que o bloqueio? Não. O bloqueio usa anestésico e serve de teste. A radiofrequência usa calor para interromper o sinal de dor por meses.
Dói? O trajeto é anestesiado. Você pode sentir pressão e formigamento durante os testes. Nos primeiros dias depois, é comum ardência no local.
Pode ser feita sem o bloqueio-teste? As principais diretrizes recomendam fazer o bloqueio antes, porque ele aumenta a chance de a radiofrequência funcionar.
Vou ficar com a perna ou o braço fraco? Não. Os nervos tratados levam a sensibilidade das facetas e não comandam a força. Os testes elétricos confirmam isso antes do aquecimento.
Quando volto ao trabalho? Trabalhos leves, em 1 a 3 dias. Trabalhos com esforço físico, em cerca de uma semana.
Posso repetir? Sim, se a primeira trouxe bom alívio e a dor voltar, geralmente depois de 6 meses ou mais.
Quando procurar atendimento
- fraqueza nova ou que piora nas pernas ou nos braços, ou dificuldade nova para andar;
- dormência na região genital ou anal, dificuldade para urinar ou perda do controle da urina ou das fezes;
- febre ou calafrios, ou vermelhidão, calor, inchaço ou secreção no local da agulha;
- dor de cabeça forte que piora ao ficar em pé e melhora ao deitar, ou com febre e rigidez na nuca;
- falta de ar, inchaço no rosto ou na língua, desmaio ou dor no peito.
Fale com a equipe ou vá ao pronto-socorro mais próximo e informe o procedimento feito e a data.
Fontes científicas
- Lord SM et al. Percutaneous radio-frequency neurotomy for chronic cervical zygapophyseal-joint pain. N Engl J Med, 1996.
- Cohen SP et al. Consensus practice guidelines on interventions for lumbar facet joint pain from a multispecialty, international working group. Reg Anesth Pain Med, 2020.
- NICE NG59. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management. National Institute for Health and Care Excellence.
- Juch JNS et al. Effect of radiofrequency denervation on pain intensity among patients with chronic low back pain: the MINT randomized clinical trials. JAMA, 2017.
- Busse JW et al. Commonly used interventional procedures for non-cancer chronic spine pain: a clinical practice guideline. BMJ, 2025.
Não substitui a consulta. Siga sempre as orientações específicas recebidas do seu médico. Dúvidas: WhatsApp (83) 98640-5903.
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