Bloqueio sacroilíaco
Infiltração da articulação sacroilíaca e dos seus nervos, para dor na nádega e na base da coluna
Você vai fazer um bloqueio sacroilíaco. Ele pode servir para tratar a dor, para confirmar se ela vem da articulação sacroilíaca, ou para as duas coisas. Este guia explica o procedimento, o que observar depois e o que esperar do resultado.
O que é?
A articulação sacroilíaca liga o sacro, na base da coluna, aos ossos da bacia, um de cada lado. Ela se move pouco, mas suporta muita carga. Desgaste, gravidez, diferença no comprimento das pernas, quedas e artrodeses lombares antigas podem fazê-la doer.
A dor sacroilíaca costuma ficar na nádega e na parte baixa das costas, de um lado, às vezes descendo pela parte de trás da coxa. Ela piora ao levantar da cadeira, subir escadas, virar na cama ou ficar apoiado numa perna só.
Existem duas formas de bloqueio, relacionadas mas diferentes:
- Intra-articular: o medicamento é aplicado dentro da articulação. Com anestésico, serve de teste; com corticoide, de tratamento.
- Dos ramos laterais: o anestésico é aplicado junto aos pequenos nervos que levam a dor da parte de trás da articulação. Serve de teste antes da radiofrequência sacroilíaca.
Para quem é indicado?
- Dor na nádega ou na base da coluna, de um ou dos dois lados, com testes do exame físico que sugerem a articulação sacroilíaca.
- Quando remédios, exercícios e fisioterapia não trouxeram melhora suficiente.
- Para confirmar o diagnóstico ou selecionar candidatos à radiofrequência dos ramos laterais.
Como é feito?
- Conferência: a equipe confirma seu nome, o procedimento, o nível e o lado, e revisa alergias e medicamentos.
- Posição: você fica deitado de barriga para baixo (ou de lado), numa mesa com aparelho de raio X.
- Antissepsia e anestesia da pele: a pele é limpa com antisséptico e anestesiada com uma agulha fina. Você sente uma picada e um leve ardor.
- Agulha guiada por imagem: com o raio X (radioscopia), a agulha é levada até o ponto exato. Quando indicado, uma pequena quantidade de contraste confirma a posição antes do medicamento.
- Medicamento e curativo: o medicamento é aplicado devagar, a agulha é retirada e um curativo pequeno é colocado.
- Observação: você fica em observação por um curto período antes de ir para casa.
O procedimento costuma levar de 15 a 30 minutos. Avise na hora se sentir dor súbita forte, choque que não passa, tontura ou qualquer sensação estranha.
Medicamentos usados
| Medicamento ou recurso | Para que serve |
|---|---|
| Anestésico local | Alivia a dor por algumas horas e mostra se a articulação é a origem dela. |
| Corticoide, em casos selecionados | Desinflama a articulação. Quando funciona, o efeito começa em alguns dias. |
| Contraste radiológico | Confirma no raio X que o medicamento está dentro da articulação ou junto aos nervos. |
Quando o efeito começa e quanto dura?
O que os estudos mostram
- A articulação sacroilíaca é a origem da dor em uma parte das pessoas com dor lombar baixa, mas nenhum exame isolado confirma isso. O bloqueio guiado por imagem, junto com o exame físico, é a melhor forma de diagnóstico.
- A injeção de corticoide na articulação pode trazer alívio por algumas semanas a meses, mas a qualidade das evidências é limitada e o efeito varia bastante. A diretriz do BMJ de 2025 desaconselha o uso rotineiro na dor crônica.
- Quando o alívio não dura, a resposta ao bloqueio dos ramos laterais ajuda a decidir sobre a radiofrequência sacroilíaca, que tem efeito mais prolongado em pessoas selecionadas.
Riscos e efeitos possíveis
- Dor no local ou piora passageira da dor por alguns dias.
- Dormência ou fraqueza temporária na perna, se o anestésico se espalhar para nervos vizinhos. Caminhe com apoio até passar.
- Pelo corticoide: rosto avermelhado, insônia e aumento da glicose em quem tem diabetes, por alguns dias.
- Infecção, sangramento e reação alérgica são raros.
Depois do procedimento
- Anote a dor por 6 horas e leve as anotações no retorno.
- Não dirija no dia. Retome atividades leves no dia seguinte.
- Banho normal no dia seguinte. Retire o curativo em 24 horas.
- Mantenha os exercícios de fortalecimento do quadril e do tronco, que fazem parte do tratamento.
Preparo
- Medicamentos: traga a lista de tudo o que usa, com doses. Anticoagulantes e antiagregantes (varfarina, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana, AAS, clopidogrel e outros), anti-inflamatórios, remédios para diabetes e fitoterápicos podem precisar de ajuste — nunca suspenda por conta própria. Os prazos de referência estão no guia Bloqueios anestésicos: preparo e medicações, e a decisão final é tomada com você e, quando preciso, com seu cardiologista.
- Avise a equipe se tiver febre, gripe, infecção, ferida na pele perto do local, alergia (a anestésico, iodo, contraste ou látex), diabetes, imunossupressão, marca-passo ou cardiodesfibrilador, ou se houver possibilidade de gravidez.
- Jejum e acompanhante: siga as orientações recebidas. Venha com um acompanhante adulto, porque você não deve dirigir no dia.
- Leve documento, carteira do convênio e seus exames de imagem (ressonância, tomografia).
Perguntas frequentes
Dói? Você sente a picada da anestesia e uma pressão quando a agulha entra na articulação. Costuma ser bem tolerado.
O bloqueio confirma o diagnóstico sozinho? Não. A resposta é interpretada junto com a história, o exame físico e outras possíveis causas da dor.
Pode ser feito dos dois lados? Sim, quando a dor é dos dois lados. A decisão é tomada na avaliação.
Existe tratamento mais duradouro? Sim. Em pessoas selecionadas, a radiofrequência dos ramos laterais sacrais pode prolongar o alívio por meses.
Quando volto ao trabalho? Em geral no dia seguinte.
Quando procurar atendimento
- fraqueza nova ou que piora nas pernas ou nos braços, ou dificuldade nova para andar;
- dormência na região genital ou anal, dificuldade para urinar ou perda do controle da urina ou das fezes;
- febre ou calafrios, ou vermelhidão, calor, inchaço ou secreção no local da agulha;
- dor de cabeça forte que piora ao ficar em pé e melhora ao deitar, ou com febre e rigidez na nuca;
- falta de ar, inchaço no rosto ou na língua, desmaio ou dor no peito.
Fale com a equipe ou vá ao pronto-socorro mais próximo e informe o procedimento feito e a data.
Fontes científicas
- Cohen SP. Sacroiliac joint pain: a comprehensive review of anatomy, diagnosis, and treatment. Anesth Analg, 2005.
- Busse JW et al. Commonly used interventional procedures for non-cancer chronic spine pain: a clinical practice guideline. BMJ, 2025.
- Narouze S et al. Interventional spine and pain procedures in patients on antiplatelet and anticoagulant medications. Reg Anesth Pain Med, 2018.
Não substitui a consulta. Siga sempre as orientações específicas recebidas do seu médico. Dúvidas: WhatsApp (83) 98640-5903.
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