Radiofrequência sacroilíaca
Tratamento por calor dos ramos laterais sacrais, para dor crônica da articulação sacroilíaca
Você vai fazer uma radiofrequência sacroilíaca, também chamada de radiofrequência dos ramos laterais sacrais. Ela é indicada para quem tem dor crônica da articulação sacroilíaca e teve resposta positiva no bloqueio-teste. Este guia explica como é, o que esperar e como se cuidar.
O que é?
A parte de trás da articulação sacroilíaca recebe sensibilidade de vários pequenos nervos, os ramos laterais, que saem pelos orifícios do sacro. Na radiofrequência, uma agulha com ponta de eletrodo é posicionada junto a esses nervos e aquecida de forma controlada, para interromper o sinal de dor por meses.
É diferente da radiofrequência das facetas, porque os alvos e a técnica são outros. Muitas vezes se usa a radiofrequência resfriada, que cria lesões maiores e alcança melhor esses nervos, cuja posição varia de pessoa para pessoa.
Para quem é indicada?
- Dor crônica (mais de 3 meses) na nádega e na base da coluna, de origem sacroilíaca.
- Quem teve bloqueio positivo da articulação ou dos ramos laterais.
- Quando o tratamento sem procedimentos não foi suficiente e os benefícios e riscos foram discutidos.
Não é indicada para todas as dores lombares ou da bacia.
Como é feita?
- Conferência e posição: a equipe confirma o lado, e você fica deitado de barriga para baixo.
- Anestesia: a pele e o trajeto das agulhas são anestesiados. Em alguns casos, usa-se sedação leve.
- Posicionamento: guiadas por raio X, as agulhas são levadas a vários pontos ao lado dos orifícios do sacro (geralmente S1 a S3) e, muitas vezes, ao ramo de L5.
- Testes e tratamento: uma pequena corrente confirma a posição segura, cada ponto é anestesiado e então aquecido por alguns minutos.
O procedimento leva de 40 a 60 minutos.
Medicamentos e recursos
| Medicamento ou recurso | Para que serve |
|---|---|
| Anestésico local | Anestesia a pele, o trajeto das agulhas e cada nervo antes do aquecimento. |
| Sedação, quando indicada | Usada em situações selecionadas, com monitorização. Exige acompanhante. |
| Radiofrequência | Não é um medicamento: é energia aplicada pela ponta da agulha para criar pequenas lesões controladas nos nervos. |
Quando o efeito começa e quanto dura?
O que os estudos mostram
- Estudos com grupo placebo (Anesthesiology, 2008; Pain Medicine, 2012) mostraram que, em pacientes selecionados pelo bloqueio, a radiofrequência resfriada dos ramos laterais trouxe alívio importante em 3 meses para 47% a 64% dos tratados, contra 0% a 12% do procedimento simulado. Com o passar dos meses o efeito tende a diminuir: num dos estudos, 57% mantinham alívio em 6 meses e 14% em 1 ano.
- Os resultados dependem muito da seleção: quem não teve boa resposta ao bloqueio-teste tem menos chance de melhorar.
- Uma diretriz do BMJ de 2025 desaconselhou o uso rotineiro de procedimentos na dor crônica da coluna. Por isso a indicação é individual, para quem tem diagnóstico bem estabelecido e já tentou o tratamento conservador.
Riscos e efeitos possíveis
- Dor e ardência na nádega por 1 a 2 semanas (às vezes mais).
- Área de dormência ou hipersensibilidade na pele da nádega, geralmente temporária.
- Raros: infecção, sangramento, reação alérgica, queimadura da pele ou lesão de nervo.
Avise se tiver marca-passo, cardiodesfibrilador ou neuroestimulador.
Depois do procedimento
- Não dirija no dia. Repouso relativo nas primeiras 24 horas.
- Compressas frias e o analgésico prescrito ajudam nos primeiros dias. Evite ficar muito tempo sentado sobre o lado tratado.
- Retome caminhadas e atividades leves aos poucos. Evite carga pesada e exercícios intensos por cerca de uma semana.
- Banho normal no dia seguinte. Retire o curativo em 24 horas.
- Volte aos exercícios de quadril e tronco assim que a dor permitir.
Preparo
- Medicamentos: traga a lista de tudo o que usa, com doses. Anticoagulantes e antiagregantes (varfarina, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana, AAS, clopidogrel e outros), anti-inflamatórios, remédios para diabetes e fitoterápicos podem precisar de ajuste — nunca suspenda por conta própria. Os prazos de referência estão no guia Bloqueios anestésicos: preparo e medicações, e a decisão final é tomada com você e, quando preciso, com seu cardiologista.
- Avise a equipe se tiver febre, gripe, infecção, ferida na pele perto do local, alergia (a anestésico, iodo, contraste ou látex), diabetes, imunossupressão, marca-passo ou cardiodesfibrilador, ou se houver possibilidade de gravidez.
- Jejum e acompanhante: siga as orientações recebidas. Venha com um acompanhante adulto, porque você não deve dirigir no dia.
- Leve documento, carteira do convênio e seus exames de imagem (ressonância, tomografia).
Perguntas frequentes
É igual ao bloqueio sacroilíaco? Não. O bloqueio aplica medicamento e serve de teste ou tratamento temporário. A radiofrequência usa calor para interromper o sinal de dor por meses.
É uma cirurgia? Não. É um procedimento por agulhas, sem corte, mas exige técnica, raio X e cuidados de segurança.
Funciona para qualquer dor lombar? Não. É reservada a quem tem dor de origem sacroilíaca confirmada pelo bloqueio-teste.
Quando volto ao trabalho? Trabalhos leves, em 2 a 3 dias. Trabalhos com esforço físico, em cerca de uma semana.
Posso repetir? Sim, se a primeira trouxe bom alívio e a dor voltar, após reavaliação.
Quando procurar atendimento
- fraqueza nova ou que piora nas pernas ou nos braços, ou dificuldade nova para andar;
- dormência na região genital ou anal, dificuldade para urinar ou perda do controle da urina ou das fezes;
- febre ou calafrios, ou vermelhidão, calor, inchaço ou secreção no local da agulha;
- dor de cabeça forte que piora ao ficar em pé e melhora ao deitar, ou com febre e rigidez na nuca;
- falta de ar, inchaço no rosto ou na língua, desmaio ou dor no peito.
Fale com a equipe ou vá ao pronto-socorro mais próximo e informe o procedimento feito e a data.
Fontes científicas
- Cohen SP et al. Randomized placebo-controlled study evaluating lateral branch radiofrequency denervation for sacroiliac joint pain. Anesthesiology, 2008.
- Patel N et al. A randomized, placebo-controlled study to assess the efficacy of lateral branch neurotomy for chronic sacroiliac joint pain. Pain Med, 2012.
- Busse JW et al. Commonly used interventional procedures for non-cancer chronic spine pain: a clinical practice guideline. BMJ, 2025.
Não substitui a consulta. Siga sempre as orientações específicas recebidas do seu médico. Dúvidas: WhatsApp (83) 98640-5903.
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